sexta-feira, 19 de junho de 2009


Vivoverso homenageia mais uma vez
e sempre
Chico Buarque de Hollanda
no dia em que completa 65
– belíssimos e poéticos –
anos de vida.”

15 comentários:

Emile disse...

"Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
hão de se entregar assim
Me leve até o fim
Me leve até o fim!"

Heloisa Salles disse...

A novidade que tem no Brejo da Cruz
é a crinçada se alimentar de luz.
Alucinados, meninos ficando azuis
e desencarnando,
lá no Brejo da Cruz.

Creio que com esses versos nosso GRANDE poeta produz uma das formas mais profundas de que tenho notícia de descrever a FOME que assola as crianças em nosso país.

Sergio Leo disse...

Não se afobe não, que nada é pra já
O amor não tem pressa, ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário, na posta-restante
Milênios, milênios no ar
E quem sabe, então o Rio será alguma cidade submersa
Os escafandristas virão explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos
Sábios em vão tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não, que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

(Sergio e Marta Salomon)

Sylvia disse...

De..."apesar de você amanhã há de ser outro dia/você vai ter que ver a manhã renascer/
e esbanjar poesia" dos meus 14 anos -impacto que se repete até hoje- (e olha que são alguns muitos anos à frente...),
à profunda empatia em "eu quero te contar/das chuvas que apanhei/das noites que varei/no escuro a te buscar/Eu quero te mostrar/ as marcas que ganhei/nas lutas contra o rei/nas discussões com Deus..." chego à poesia pungente do romance Leite derramado...
" até o fim eu deixei todas as portas abertas para ela" (p. 47)..."Era como se a cada passo eu me rasgasse um pouco, porque minha pele tinha ficado presa naquela mulher"(p. 56)

Evoè , Chico!Por favor...mais sessenta e cinco!

Deliane Leite disse...

De tempos em tempos as canções do Chico Buarque nos leem de um jeito. Sem dúvida são canções atemporais. Selecionei quatro pequenos trechos que me parecem reveladores, ousados, verborrágicos. Esse jeito que o Chico tem de nos revirar as entranhas...

"Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de atenas...quando ele voltam sedentos/querem arrancar violentos/carícias plenas, obcenas"

"eu sou sua fêmea, seu divã...sou igual a você eu não presto/eu não presto"

"Chega estampado/manchete,retrato/com vendas nos velhos/legendas e as iniciais...Desde o começo eu não disse/ seu moço/ele disse que chegava lá..."

"vai alegria/que a vida Maria/não passa de um dia..."

Gabriel Borges disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Gabriel Borges disse...

"Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu"

em Pedaço de Mim


optei por esses versos por acreditar ser a definição mais perfeita e real do que é SAUDADE e perda...

Julliany Mucury disse...

Bárbara
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque - Ruy Guerra

"Bárbara, Bárbara
Nunca é tarde, nunca é demais
Onde estou, onde estás
Meu amor, vem me buscar

O meu destino é caminhar assim
Desesperada e nua
Sabendo que no fim da noite serei tua
Deixa eu te proteger do mal, dos medos e da chuva
Acumulando de prazeres teu leito de viúva"

Julliany Mucury disse...

Ana de Amsterdam
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque/Ruy Guerra

"Sou Ana do dique e das docas
Da compra, da venda, das trocas de pernas
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas
Sou Ana das loucas
Até amanhã
Sou Ana
Da cama, da cana, fulana, sacana
Sou Ana de Amsterdam

Eu cruzei um oceano
Na esperança de casar
Fiz mil bocas pra Solano
Fui beijada por Gaspar

Sou Ana de cabo a tenente
Sou Ana de toda patente, das Índias
Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada
Sou Ana, obrigada
Até amanhã, sou Ana
Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos
Sou Ana de Amsterdam

Arrisquei muita braçada
Na esperança de outro mar
Hoje sou carta marcada
Hoje sou jogo de azar

Sou Ana de vinte minutos
Sou Ana da brasa dos brutos na coxa
Que apaga charutos
Sou Ana dos dentes rangendo
E dos olhos enxutos
Até amanhã, sou Ana
Das marcas, das macas, da vacas, das pratas
Sou Ana de Amsterdam"

Sylvia disse...

Msg enviada por Carlos Ruminot , estudioso de MPB, do Chile. "Eu aprecio sua ajuda nesta publicação de poesia de Chico Buarque,
que é uma das muitas que vêm para o fundo da alma. "

"Futuros Amantes'

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Niemarbrasiliainvisivel disse...

Divíduo: divido meu verso em dois.
Trago a mais bela quadra de minha infância -quando "eu era o herói" e nem sabia:
"Estava à toa na vida
o meu amor me chamou
pra ver abanda passar
cantando coisas de amor."
(A BANDA, 1966)
E levo no meu bolso um único verso de minha terceira margem do rio:
"O que é que a vida vai fazer de mim?"
(JOÃO E MARIA, 1977)

(Fragmentos para ruminar depois que a banda passar cantando coisas de amor e VivoVersoBrasileiro.
Augusto Rodrigues

Maxçuny disse...

"Quero ficar no seu corpo
feito tatuagem
que é pra te dar coragem
pra seguir viagem
quando a noite vem"
Tatuagem

Simplesmente Lindooo!!!

Maxçuny

Zildete M. disse...

A MOÇA DO SONHO

"Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não [...]

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais".

Minha alma se extravia quando ouço esses versos. Sylvia, bonita homenagem! Chico, só ele é assim Buarque!

Felipe disse...

"Me conta como ei de partir,

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu"

"Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir".

Felipe disse...

Pra tirar o punhal do coração...:

"No peito a saudade cativa,
Faz força pro tempo parar,
Mas eis que chega a roda viva,
E carrega a saudade pra lá…"

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